Sustentando a terra de baixo para cima: desenvolvendo modelo conceitual de valoração dos serviços ecossistêmicos para solos tropicais
28 de March de 2019

O Brasil, com sua abundância de áreas agrícolas e florestas tropicais, é um país importante tanto para a segurança alimentar global quanto para a regulação do clima. Enquanto vastas áreas de floresta sofreram com o desmatamento, as áreas agrícolas sofreram com a exploração excessiva que levou à degradação. Por exemplo, a pecuária é uma das principais atividades agrícolas no país (também para exportações para a Europa), no entanto, a maioria (75%) das áreas sob pastagens está degradada.

Os solos fornecem a base para a produção de alimentos e ajudam a controlar as conseqüências prejudiciais da mudança climática através da regulação dos gases de efeito estufa e da água. No entanto, o solo continua a ser um recurso negligenciado pelos governos e, consequentemente, tem seu valor subestimado pelos agricultores e os tomadores de decisão. O projeto consistem em analisar os dados do solo brasileiro e propor abordagens de avaliação do solo a serem usadas pelos agricultores e formuladores de políticas para melhor gerenciar os recursos do solo

Neste contexto, o projeto “Sustentando a terra de baixo para cima: desenvolvendo modelo conceitual de valoração dos serviços ecossistêmicos para solos tropicais” pretende mostrar a importância da ciência de solo para a funcionalidade dos nossos ecossistemas, cadeia de alimentação e manejo da terra sustentável. O projeto consiste em analisar os dados do solo brasileiro e propor abordagens de avaliação do solo a serem usadas pelos agricultores e formuladores de políticas para melhor gerenciar os recursos do solo. A compreensão do valor do solo os ajudará esses atores a entenderem como as diferentes práticas de manejo do solo afetam o meio ambiente. Os agricultores serão treinados para calcular melhor os serviços ecossistêmicos do solo, aumentar seus lucros e por consequência, seu bem-estar.

Além disso, melhorar a compreensão do valor dos serviços ecossistêmicos do solo não é importante apenas para melhorar os meios de subsistência locais no Brasil, mas também para a comunidade global. O Brasil é um importante exportador de alimentos, portanto, solos saudáveis significam melhor segurança alimentar mundial.

Pela iniciativa, Agnieszka Latawiec – coordenadora do CSRio, idealizadora e líder do projeto – foi agraciada com o prêmio Newton Advanced Fellowship, da Royal Society. É a primeira vez que um pesquisador brasileiro recebe esse prêmio, da mais antiga academia científica do mundo em atuação, com sede o Reino Unido.

“Esse projeto também é uma oportunidade para mostrar como ciências físicas e humanas devem conversar e colaborar para que os benefícios de melhor uso da terra sejam aplicados na prática”, explica Agnieszka, que é ainda professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e diretora executiva do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS).

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